"A nova Ciência da administração não é, em verdade,
nada mais do que uma continuação da velha arte de governar."
Antony Jay, citado por Idalberto Chiavenato em Introdução à Teoria Geral da Administração.

O que á administração

A atividade administrativa é caracterizada por seu traço multicientífico e multidisciplinar. Quase tudo é administração. Qualquer trabalho que seja ralizado por duas ou mais pessoas, que tenham graus de poder diferentes, contém elementos de administração. (p. 9)

De nada adianta ter conhecimento, deter ou dominar, uma técnica se ao mesmo tempo não estiver disponível uma habilidade de gerenciar essa técnica e esse conhecimento, ou seja, administrá-lo. (p. 12)

O que dificulta o enquadramento teórico da Administração é o fato de ela transitar livremente entre o senso comum e as teses de mestrado e doutorado. A Administração é praticada não só entre aqueles que possuem formação acadêmica específica, como também é possível encontrar em diversas organizações administradores que não são formados e contam somente com o prática.( p. 12/13)

Encarar a Administração, como um corpo de conhecimentos dotados de um objeto (próprio) de estudos, é requisito que a qualifica como ciência. (p. 13) O principal meio de acesso a ciência administrativa é através da Teoria Geral da Administração, que resultou de uma imensa produção de livros sobre Administração. (p. 13)

A Teoria Geral da Administração (TGA) corresponde a um compêndio das várias visões da gestão empresarial que surgiram a partir da Revolução Industrial. Foi nessa época que a empresa foi institucionalizada, como uma organização. (p. 17)

Uma das primeiras abordagens de administração, é a abordagem clássica, que inclui a Administração científica, idealizada pelo engenheiro Taylor (1856-1915). (p. 17) Para Taylor, tudo era uma questão de tornar perfeita a execução de cada tarefa. As condições para isso incluiriam desde a absoluta separação das fases de planejamento, concepção e direção das tarefas de execução até o emprego de um determinado tipo de operário, segundo suas palavras, "tão forte e tão imbecil, um homem-boi". (p. 18)

Henry Fayol foi outro engenheiro que inscreveu-se como expoente da abordagem clássica da Administração. Fayol passou a conceber a gestão da empresa a partir de determinadas funções básicas:
técnicas; comerciais; financeiras; de segurança; contábeis e administrativas. (p. 19)

A teoria de Fayol, representou um avanço em relação a teoria de Taylor, pela sua tentativa de pensar a empresa como um todo, ao contrário da ênfase na tarefa, típica do taylorismo. A teoria clássica acrescenta um novo elemento a TGA: a estrutura da empresa, o que representou uma ampliação dos horizontes até então estabelecidos. No entanto, a empresa ainda era vista sob extremo racionalismo. Ninguêm até aí havia pensado que a empresa é contituída também por gente. (p. 20)

A hegemonia da mentalidade taylorista suscitou entre os trabalhadores uma insatisfação crescente com as condições desumanas de trabalho. (p. 20) Devido a esse descontentamento um grupo de pesquisadores passou a investigar numa empresa as condições ambientais que otimizassem a produtividade. A pesquisa ficou conhecida como Experiência de Hawthorne. Descobriu-se que qualquer variação ambiental aumentava a produtividade. (p. 21)

Apesar da experiência ter deixado mais perguntas que respostas, ela serviu para mostrar que as relações humanas no trabalho eram essenciais para a Administração. (p. 21) Assim, deu-se o surgimento da Escola das Relações Humanas, que se caracterizou por enfatizar a adaptação do homem à organização e vice-versa. (p. 22)

A principal figura dessa corrente que ficou conhecida como Escola Neoclássica foi Drucker (1909-). Sua proposta consistia em espanar a poeira da abordagem clássica, tornando-a compatível com uma nova realidade social, já marcada por uma acirrada concorrência entre as empresas. (p. 23)

A teoria neoclássica propõe a valorização do administrador, idealmente um elemento eclético capaz de catalisar fundamentos de outras teorias e visualizar com clareza, na sua ação, as dimensões da eficiência e da eficácia. A eficiência é definida como a capacidade da realização de uma tarefa, porém sob o questionamento da importância da realização desta tarefa.(p. 23/24)

Esta escola tem como ponto de partida e de chegada a eficácia. O que importa é o que se quer atingir, o resultado esperado. A maneira como se processará essa operação não é enfatizada. Mais importante do que fazer as coisas corretamente é realizar as coisas essenciais ao cumprimento dos objetivos. A ênfase na estrutura da teoria clássica e o espírito paternalista da Escola de Relações Humanas deixam de ser fins em si mesmos para se constituírem em fatores de uma dimensão maior: consecução dos objetivos traçados. (p. 24)

O planejamento estratégico é um ítem muito importante dentro de uma empresa. O planejador estratégico é capaz de moderar a sua tara pelo lucro do trimestre e gastar parte do seu tempo imerso num processo de como se antecipar às tendências sociais e fazer as coisas acontecerem sob a menor incerteza possível. Num primeiro plano define a missão da empresa; depois estabelece os objetivos, que são programas de trabalho para indicar o que será feito, quando e onde e por fim as metas, com a quantificação da produção planejada e do lucro esperado. (p. 26)

Nos anos 40 passa a perceber-se a teoria da burocracia dentro da administração. O arcabouço teórico constituído até então era insuficiente para fazer face a todas as dificuldades encontradas na gestão empresarial. A gerência científica, de Taylor, reduzia reduzia tudo a uma questão de realizar de maneira ótima as tarefas. A abordagem humanística só tinha olhos para o aperfeiçoamento das relações sociais no trabalho, em prejuízo de todos os demais aspectos.(p. 28)

Max Weber, partindo da premissa de que o traço mais relevante da sociedade ocidental, no século XX, era o agrupamento social em organizações, procurou fazer um mapeamento de como se estabelece o poder nessas entidades. Construiu um modelo ideal, no qual as organizações são caracterizadas por cargos formalmente bem definidos, ordem hierárquica com linhas de autoridade e responsabilidade bem delimitadas, seleção de pessoal à base de qualificações técnicas ou profissionais, normas e regulamentos para os atos oficiais, possibilidade de carreira e segurança no cargo. (p. 28)

Assim, Weber cunhou a expressão burocracia para representar esse tipo ideal de organização, porém ao fazê-lo, não estava pensando se o fenômeno burocrático era om ou mal, simplesmente estava tentando traçar o seu perfil. (p. 28/29)

Entre as críticas que se fizeram à Escola de Relações Humanas, uma era a de que o seu caráter predominantemente prescritivo tirava-lhe o status de uma ciência social substanciada por um rigor experimental aceitável. Vários psícólogos, dentre os quais pode-se citar Lewin, Maslow, Herzberg, McGregor, desenvolveram diferentes abordagens para explicar o comportamento humano no trabalho. Desta forma teve origem a Escola Behaviorista. (p. 31-34)

Por volta de 1960, a escola behaviorista já havia dado novos contornos à teoria das relações humanas, mostrando que era possível, por meio de experimentos científicos na área da psicologia organizacional, mapear as relações sociais dentro de um grupo de indivíduos. De posse desse instrumental teórico, mais uma vez a Administração oscila entre a investigação realista e o receituário idealista. Surge o movimento do Desenvolvimento Organizacional, ou DO, com a idéia de intervir na organização, em busca de uma melhoria no rendimento do trabalho grupal associado com a perspectiva de uma elevação do nível de qualidade de vida nesse ambiente.(p. 34)

Na abordagem sistêmica da organização, a empresa é como um organismo vivo, cuja inércia o impele para o desaparecimento e a morte. Mesmo na sua fase ascencial, suas energias, idealmente, são despendidas para garantir-lhe s sobrevivência. Daí que a idéia de intervenção na organização trazida pelo DO acabou associada a uma tentativa de desvendar a crise permanete que acompanha a organização desde o seu surgimento.(p.35)

A DO se encaixa na empresa que apresenta um cenário carente de mudanças, incapaz de se autodiagnosticar e formular um programa de renovação, abre suas portas a um agente de mudanças, que atue como um "facilitador" das mudanças necessárias. Essa figura é o consultor. (p. 36/37)

Existem dois tipos de consultorias, a de recursos e a de procedimentos. No primeiro caso, o consultor é contratado para resolver um problema específico e nisso empenha seus conhecimentos técnicos requeridos para aquele fim. Já o consultor de procedimentos reveste-se do papel de um educador imbuído da missão de levar a empresa do cliente a tornar-se capaz de autodiagnosticar-se e pôr em prática as mudanças esperadas. (p. 38)

Em 1956, um biólogo alemão chamado Ludwig von Bertalanffy publicou um livro com o nome de Teoria Geral dos Sistemas. Pretendia mostrar que um determinado modelo de funcionamento dos sistemas poderia ser aplicado universalmente às ciências em geral, da física às humanidades. Essa teoria logo estendeu suas influências para as diversas áreas do conhecimento, até mesmo para a Administração. (p. 40)

Apesar da multidisciplinaridade inerente à ação da empresa, ela era vista até então como um sistema fechado, com as atenções da gerência voltando-se para ela mesma. Com a teoria geral dos sistemas, percebe-se que a empresa é um sistema aberto, que faz parte de um ambiente mutante, constituído de outros sistemas, e que ela, a empresa, constitui-se de subsistemas. (p. 40)

O matemático Norbert Wiener (1894-1963), foi quem formulou o conceito daquilo que seria a principal ferramenta da visão holística das ciências: a cibernética. Seu propósito é a busca das propriedades globais de um sistema, resultantes do fato de tratar-se de um conjunto estruturado que ultrapassa a simples soma de suas partes (sinergia). (p. 43)

Um sistema mantém-se em funcionamento enquanto é capaz de processar entradas, produzindo saídas. Para isso, deve ser capaz de utilizar os resultados de seu próprio desempenho como informação auto-reguladora, ajustando a si mesmo como parte do processo em andamento. Essa capacidade, ou habilidade, foi chamada por Wiener de Feedback e cedo seu uso foi disseminado em várias áreas de atividade. (p. 43)

Uma idéia que intrigava Wiener eram as semelhanças na maneira como funciona tanto um animal quanto uma máquina auto-regulável. Ambos, vistos como um sistema, precisam de entradas, processam estas entradas, transformando-as em saídas como produtos. Nesse processo auto-regulam suas partes quando uma disfunção começa a surgir. Essa capacidade de perceber uma disfunção e eliminá-la, para a cibernética, é a informação. (p. 43/44)

Como esse modelo de funionamento se aplica também para organizações sociais, a difusão do uso do computador na empresa leva à ocorrência de um fenômeno já contemplado pela cibernética: em que instãncias o homem, depois (ou antes? de controlar o computador é por ele controlado? (p. 44)

Em princípio, a missão do computador seria poupar o homem de elevados volumes de trabalho. Mas isso não é simples assim. O homem sempre interagiu com a natureza percebendo as suas infinitas gradações e sutilezas. Mas o computador nega ao homem essas séries contínuas. O homem cria máquinas para que estas lhe permitam alcançar diversos objetivos, mas o custo disso é que ele, na sua inteireza, vê-se obrigado a adaptar-se a elas. (p. 44/45)

É na Administração que a infomática encontra o seu principal meio de difusão e, mais que isso, o meio de operar esse processo de interação "do homem para a máquina" mas não da "máquina para o homem". Esse fenômeno não teria importância maior se o computador não tivesse se tornado um entidade meio divinizada depois de seu uso ter sido difundido em nível massivo. Em outros tempos, a mercadoria, a máquina, o automóvel tornaram-se fetiches. Agora é a vez do computador. (p. 45)

Verifica-se nas teorias administrativas, desde as propostas apresentadas por Taylor, uma evolução para modelos mais elaborados, para uma busca de conceitos que contemplem a organização em toda a sua complexidade. A teoria dos sistemas, trazendo em seu interior a cibernática, representa um passo decisivo nesse sentido. A caminhada não parou por aí. A partir dos primeiros anos da década de 50 começaram a surgir estudos que resultaram na teoria da contingência, que é uma espécie de estado a arte atual da Administração. (p. 46)

A teoria contingencial pretende contemplar todas as bandeiras que surgiram desde o taylorismo e dar um conformação ao estilo administrativo em função de cada realidade específica. (p. 47)

A abordagem contingencial enfatiza o ambiente e a adequação da empresa a ele. Este é um imperativo básico. A empresa precisa fazer isso todos os dias porque o ambiente muda todos os dias. Adaptar-se ao ambiente, entre outras graves implicações, exige mudanças na estrutura da empresa, que demandam mexer com gente. E isso é complicado. É possível que para se tornar mais ágil seja necessário dar mais responsabilidade e autoridade aos escalões inferiores, isto, por sua vez, pode acarretar perda de poder e insegurança aos gerentes e demais pessoas que exercem cargos mais altos dentro da empresa. (p. 49)

Referência Bibliográfica
RAYMUNDO, Paulo Roberto. O que é administração. São Paulo: Brasiliense, 1992 (Coleção Primeiros Passos)